segunda-feira, 5 de junho de 2017

ERRADA, SHLOMO SAND. A PREMISSA DE QUE ISRAEL NÃO PODE ANEXAR POPULAÇÕES É UM ERRO CRASSO POIS O POVO JUDEU TANTO É FEITO DE ADESÃO Á TORAH CONFORME A CONSCIÊNCIA DE CADA QUAL COMO TAMBÉM DE IDENTIFICAÇÃO ATIVA COM O POVO JUDEU. SOMOS JUDEUS PELA DESCENDÊNCIA E TAMBÉM POR ADESÃO, POR INTERESSES PESSOAIS, IDEOLÓGICOS, CULTURAIS E TAMBÉM PELA RELIGIÃO, JUDEUS ISRAELENSES E ISRAELITAS. LÓGICO QUE CABE-NOS CONDUZIR A FORMAÇÃO DE NOSSA HISTÓRIA. JUDEUS COMO VOCÊ TAMBÉM SÃO ESSENCIAIS NESSA TAREFA MACRO - GLOBAL.


Israel e o Mundo Árabe: seis dias de guerra, 50 anos de conflito
Felipe Benjamin - O Globo
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RIO - Já se vão 50 anos daquela manhã de segunda-feira, descrita pelo poeta israelense Abba Kovner, como “uma manhã daquelas em que um homem se levanta e se pergunta como, num dia assim, uma guerra pode estourar”. Meio século depois dos alarmes de defesa soarem por todo o país e Israel lançar um ataque aéreo sobre pistas de pouso no Egito, o conflito, que chegou ao fim no sábado daquela semana, permanece vivo nas sempre turbulentas relações do Oriente Médio.

O ataque de 5 de junho de 1967 foi uma reação ao bloqueio do Estreito de Tiran e às concentrações de soldados nas fronteiras por parte dos países vizinhos, em especial, o Egito. A Península do Sinai, ocupada por Israel na guerra de 1948-49, havia sido devolvida aos egípcios no fim do conflito. O Egito também ocupava a Faixa de Gaza, que abrigava mais de 200 mil refugiados palestinos. Nas Colinas de Golã, na divisa de Israel com a Síria, a área desmilitarizada que separava os dois países era palco de frequentes incursões de soldados e ações provocatórias. A Cisjordânia e a porção oriental de Jerusalém estavam sob controle da Jordânia, numa anexação internacionalmente contestada. Cinco dias após o ataque, todos os territórios eram controlados por Israel.

Para o historiador Shlomo Sand, professor da Universidade de Tel Aviv, o triunfo no confronto deixou os israelenses em um “beco sem saída”.

— Israel ampliou seu território, e passou a controlar locais que povoam o imaginário da população como lares ancestrais dos judeus — afirma. — Mas também herdou a enorme população desses locais e se viu impossibilitado de anexar os territórios, já que isso obrigaria a absorção dos habitantes, o que contraria a ideia de um Estado judeu.

Para Sand, o enfraquecimento do pan-arabismo defendido pelo líder egípcio Gamal Abdel Nassser foi um triunfo mais importante para Israel do que o controle sobre os novos territórios.

— A responsabilidade inicial pela guerra é de Nasser, mas não creio que ele, apesar de sua retórica, e da enorme hostilidade contra o país na época, tivesse planos de destruir Israel, pelo menos naquele momento — avalia Sand. — Israel queria destruir a ideologia pan-arabista promovida por Nasser, e a vitória na Guerra dos Seis Dias foi, nesse aspecto, um golpe formidável contra as aspirações árabes.

MAIS DE 30 PAÍSES AINDA NÃO RECONHECEM ISRAEL

O historiador Efraim Karsh, da Universidade Bar-Ilan e do King’s College de Londres, afirma que o conflito de 1967 foi determinante para as aspirações nacionalistas dos palestinos.

— Embora tenha sido uma continuação de conflitos anteriores, a Guerra dos Seis Dias ajudou a colocar a questão palestina no mapa. Até então, o mundo não sabia que os palestinos existiam — diz Karsh, que rejeita a noção de que o conflito tenha sido motivado por um desejo expansionista. — Afirmar que não havia risco iminente contra Israel é absurdo. Os árabes tentaram destruir Israel em 1948, tentaram novamente em 1956, e continuariam tentando. Judeus têm sido perseguidos desde o início de sua História, e a única explicação que encontro para um revisionismo é uma espécie de Síndrome de Estocolmo por parte de historiadores israelenses.

Comunidades judaicas no Oriente Médio e no Norte da África foram alvo de perseguições após a vitória israelense. Nações como Egito, Síria, Líbano, Iêmen, Iraque, Líbia, Tunísia e Argélia, que abrigavam centenas de milhares de judeus antes do conflito, tiveram suas comunidades locais praticamente extintas, com a vasta maioria da população partindo para Israel, EUA e França. Judeus ainda mantêm alguma presença em países como Irã, Turquia e Marrocos, ainda que em números consideravelmente menores que os registrados décadas atrás. Nesta semana, o rei marroquino Mohammed VI anunciou que não participará de uma cúpula em Monróvia, na Libéria, devido à presença do premier israelense, Benjamin Netanyahu.

Somente em 1980, o Egito restabeleceu relações diplomáticas com Israel, que retirou suas tropas da Península do Sinai em 1982, e devolveu a cidade fronteiriça de Taba em 1989. Em 1994, foi a vez de a Jordânia assinar um tratado de paz com Tel Aviv. Ainda assim, em 2017, 31 dos 192 países que integram as Nações Unidas — entre eles todos os Estados do Golfo Pérsico — não reconhecem a existência de Israel, e um visto israelense no passaporte impossibilita a entrada em pelo menos oito países.

— Nada mudará até que os palestinos e os países árabes reconheçam a existência de Israel. Israel retirou suas tropas do Sinai e de Gaza, mais de 90% dos palestinos hoje vivem sob o comando de seus próprios líderes, mas nada disso adiantou — afirma Karsh. — E esse cenário não mudará, porque os países árabes nunca deram a mínima para os palestinos. Apenas usam sua causa para levar adiante sua própria agenda anti-Israel.



Já Sand acredita que a sociedade israelense se habituou às condições estabelecidas após a Guerra dos Seis Dias.

— A vasta maioria dos israelenses quer um Estado unicamente judeu, por isso busca perpetuar o status quo, que reproduz características semelhantes às do apartheid. Israel nunca saiu de Gaza. Transformou o território em uma espécie de reserva indígena para abrigar cidadãos indesejáveis sem integrá-los — afirma o historiador, que não acredita numa solução política para o conflito. — Um único Estado binacional nunca foi opção verdadeira. Ninguém teria sido capaz de transformá-la em realidade. E a solução de dois Estados também me parece inviável, já que não creio que uma das sociedades mais racistas do mundo poderá aceitar um Estado palestino a seu lado. A solução estaria na criação de uma confederação, mas nenhum político seria capaz de levar isso adiante. É algo que só seria possível com pressão externa e ações da sociedade civil.

Cinco décadas após a Guerra dos Seis Dias, Síria e Israel se mantêm, oficialmente, em estado de guerra, e o Líbano é classificado como um “Estado inimigo”, mas as hostilidades entre Tel Aviv e o mundo muçulmano parecem mais restritas ao campo diplomático. Ainda assim, Karsh não crê que a ameaça tenha sido extinta.

— Países árabes e muçulmanos enfrentam muitos problemas com o terrorismo, e o Hezbollah, no Líbano, ainda representa uma ameaça — afirma. — No entanto, o maior perigo ainda vem do Irã, que graças ao desastroso acordo nuclear promovido por Barack Obama, pode muito em breve ter a chance de causar danos graves. Talvez se Donald Trump levar adiante a promessa de mover a embaixada para Jerusalém, os palestinos e os países árabes levem a sério a necessidade de reconhecer Israel.

Já Sand também acredita em pressões externas, mas sobre políticos israelenses.

— Não há nenhuma ameaça séria à existência de Israel hoje. Até mesmo o Hamas reconheceu o direito à existência do país, e uma iniciativa genuína do governo israelense para solucionar a questão palestina pode provocar mudanças até mesmo nas relações com o Irã — diz o historiador. — Temo que tudo possa terminar em tragédia caso o mundo não consiga salvar Israel de si mesmo. A chave para a paz está hoje nas mãos dos israelenses.

https://extra.globo.com/noticias/mundo/israel-o-mundo-arabe-seis-dias-de-guerra-50-anos-de-conflito-21433396.html